Visões 3 – Pesadelos

15/09/2010 at 1:57 am (Visões)

Ana corre, mas não sai do lugar. O medo, absurdo, medo de nada, medo de tudo. Perseguida por algo que não sabe o que é; algo que seus olhos não conseguem definir.

Ana acorda do pesadelo, ensopada de suor, a sensação ruim de que algo está pra acontecer. La fora a chuva cai pesada. Está sozinha em casa, sua amiga está de plantão. Liga a TV para tentar esquecer-se do que sentira durante o sono, adormece no sofá para mais um pesadelo conturbado.

Desta vez se vê em uma sala branca de paredes acolchoadas, o excesso de silencio provoca um incômodo zumbido no ouvido da pobre garota. O silencio é quebrado quando a porta atrás de Ana se abre e fecha rapidamente, jogando dentro do quarto um homem, cabelos ruivos, olhos verdes, olhar vítreo.

O estranho homem estava nu,  sua  expressão dava a impressão de que seu corpo não obedecia a sua mente. Aproximou-se da moça, sem dizer uma palavra, a segurou com força e arrancou sua roupa. Ana sentia medo, mas pouco tinha de controle sobre si mesma, sentia-se dopada.

Violentada pelo homem, sem ter como reagir, seu coração acelerava de tal forma que ela podia jurar que conseguia vê-lo pular através de sua carne. O crime foi rápido, não durou mais que 5 minutos. Ao final Jonas largou o corpo de Ana ao chão e se foi, tão robóticamente quanto entrou.

Respiração ofegante, suor, medo e tristeza. Ela sentiu um misto de tudo quando acordou do pesadelo. Ou seria uma lembrança?

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Diário de pobre – A primeira segunda-feira

09/08/2010 at 11:59 pm (Diário de Pobre)

Querido diário…

Querido não que isso fica parecendo coisa de gente falsa que diz querido querendo dizer @&87*¨¨ filho de uma %¨&%#%…

Eloquente diário,

Hoje foi um dia no mínimo cansativo, começando pelo fato de ser segunda-feira: O Garfield ta certo, nós realmente temos motivos para odiar segundas-feiras.

Depois de mais um dia entediante no trabalho, não que o trabalho seja ruim, só é repetitivo, fui alegre e sorridente, cantarolando pelo caminho.

Tá eu não tava assim tão feliz, mas tava bem. Cheguei ao ponto de ônibus e pra minha sorte três ônibus da linha que eu pego passaram juntos: Um MUITO cheio, um razoavelmente lotado e um vazio.

Adivinha diário, qual deles parou?

Claro que se não fosse a bendita segunda-feira o vazio teria parado, questão de lógica, mas dessa vez foi o razoavelmente cheio… Antes eu tivesse entrado no extremamente lotado…

Fui até o meio do ônibus e fiquei lá, quietinha, tomando cuidado pra não incomodar ninguém. Claro nem todo mundo é consciente sempre tem uma cabeluda que não para de mexer nos 3 metros de cabelo passando aquele amontoado de pelos suados nos braços indefesos dos outros. Tem também as popozudas que fazem questão de parar atrás de alguém e ficar batendo bumbum… Deve ser algum tipo de tara. Para minha sorte dois exemplares, um de cada, pararam atrás de mim… Quando não era bundada era chicotada de cabelo…

Eu podia ter socado, empurrado a bunduda com minha bunda (ela não é pequena), mas eu como um ser altruísta que sou, diariozinho, fui para o fundão do ônibus.

Aí sim, cheguei ao inferno.

Houve um assalto no centro da cidade hoje… Sabe daqueles com reféns, gente ferida e imprensa feito mosca na bunda da vaca? Sempre tem curioso, ambulância, carro de policia, motoqueiro que vai aproveitar o vácuo da ambulância e se da mal. O trânsito virou um inferno, e, pra fechar com chave de ouro, um *@#$¨ filho de uma &%*& com um #&**&# de *¨¨ arrombado me coloca uma música super legal pra tocar, a famosa “tem sabor de mel”.

Não sei o que é pior: se é a musica repetir umas 3 vezes ou se é a mulher cantar como uma perereca presa debaixo da pedra.

Capixaba é um bicho estranho, qualquer ventinho, chuva, mudança climática, brisa ou nuvem ele interpreta automaticamente como frio, ou seja, alem de todos estarem agasalhados (coisa que não me incomoda) as janelas do ônibus estavam fechadas (o que me incomoda e muito). Fim de dia, sem circulação de ar e sovaco fedorento pra todo lado. O transcol tava um verdadeiro inferno!

Não tive alternativa se não descer do ônibus e caminhar por uns 40 minutos. Levei o mesmo tempo que o ônibus… Sei por que vi o guri que tava na minha frente no ônibus no terminal.

Ganhei pés doloridos, perdi umas calorias, deixei de ouvir música gospel por 40 minutos e caminhei ao ar livre curtindo o ventinho da estação, de quebra relembrei a minha infância ao passar em frente a escola de música em que estudei! No fim das contas, foi uma boa troca.

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Visões – Capítulo 3 – Fuga

07/08/2010 at 2:23 pm (Visões)

Ele não tem mais que 15 anos, cabelos ruivos, olhos cor de mel. Com as roupas brancas agora sujas de lama, corre o mais rápido possível, todos estão atrás dele. A chuva aperta tornando difícil enxergar qualquer coisa a mais de 5 metros. Ele não podia errar, tinha que chegar na hora, pois só havia duas alternativas: A liberdade ou a morte.
Por uma fração de segundos a liberdade ganhou a corrida. Pulou dentro do furgão preto estacionado no lugar marcado, em seu encalço era possível ouvir seus perseguidores, homens e cães, treinados para seguir um rastro por dias, para capturar, torturar e matar qualquer que seja a presa.
O furgão da partida, e seus ocupantes fogem o mais rápido que a noite chuvosa permite. Passam pela cancela destruindo-a, o som das balas zunindo no ar indo de encontro ao furgão se confunde com o da chuva que cai grossa. Depois de 30 minutos a mais de 130 km/h o furgão para. O motorista abre as portas traseiras.
_Pule do carro garoto. Corra a direita daqui sem olhar pra trás. Pegue esse pó e passe no corpo, isso fará os cães perder seu rastro. Corra até encontrar um pequeno abrigo de pedra. Entre lá e espere.
O rapaz, sem dizer uma palavra sequer, correu. O motorista continuou a dirigir, ele sabia que o fim estava próximo, mas um dia ou seis meses de vida não tinham muita diferença quando se tratava de reparar um erro que ele próprio causou. Acendeu a ponta do explosivo, o carro voa pelos ares, o fogo toma conta de sua carcaça, e em alguns segundos seu corpo evapora no ar. Mas a vida do garoto está salva somente isso importa.
No dia seguinte um homem loiro de belos olhos verdes acorda o rapaz.
_Vamos, não temos tempo a perder.
Diz o homem, jogando para o garoto um capacete e montando em sua moto. Os dois seguem por uma trilha por cerca de 1 hora antes de voltar as ruas. O homem entrega o garoto a um mendigo maltrapilho e se vai.
_Muito bem garoto. Fique comigo e por enquanto estará a salvo.

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Visões – Capítulo 2 – Amnésia

30/05/2010 at 5:22 pm (Visões)

_Ei, acorde moça.

_Onde estou?

_Itararé. A senhorita precisa de ajuda?

_Na verdade não me lembro bem do que aconteceu. Moro na capital.

_To indo pra lá agora, quer uma carona?

Ana seguiu sem dizer uma palavra, estava imersa em seus pensamentos. Afinal o que aconteceu? E quanto tempo durou? Um dia talvez…

_Que dia é hoje?

_ Dia 30.

Dois dias pensou ela.

_Trinta de Abril?

_De Junho.

Aquela resposta a deixou desconcertada, o que acontecera nesses dois meses? Quem a raptou e o que queriam? Eram muitas perguntas e poucas respostas. Ao chegar em casa, agradeceu a carona, e só então se deu conta do quão faminta e cansada estava.

_Ana, graças a Deus! – Disse Marina assim que a viu – Eu tava muito preocupada com você guria. O que aconteceu? Você foi raptada?

_Na verdade não sei o que aconteceu. To exausta, e morrendo de fome.

_Deite-se um pouco, vou cozinhar algo pra você.

Em alguns minutos Ana adormeceu, sonhos conturbados, nada lúcidos, apenas muitas cores, vultos rápidos e um medo irracional.

Acordou e comeu a comida que a amiga tinha preparado, adormeceu novamente para um sono pesado sem sonhos.

Passavam das 3 da tarde, Marina havia saído para trabalhar, quando a campainha tocou acordando Ana. Abriu a porta, sem pensar, dando de cara com um belo homem de olhos verdes e cabelo claro, que vestia um terno preto.

_Boa tarde senhorita Ana. Meu nome é Marcos, sou membro da divisão de combate a seqüestros da polícia na cidade de São Paulo. Será que posso lhe fazer algumas perguntas?

_Claro entre, por favor.

_Gostaria de saber o que você se lembra do seqüestro.

Ana narrou a forma como foi retirada de sua cama, que não se lembrava de nada que tinha ocorrido nos últimos 2 meses e que aparecera em Itararé.

O homem anotou tudo em um bloco de notas e lhe estendeu um cartão:

_Caso lembre-se de mais alguma coisa, qualquer coisa, por mais estranha que possa parecer me procure. E não conte para mais ninguém. Pedimos esse sigilo para evitar que as quadrilhas saibam até onde conhecemos sua organização. Obrigada e tenha uma boa tarde.

Se indagou como aquele homem sabia sobre seu rapto, e pensou que provavelmente a amiga havia acionado a policia enquanto ela esteve desaparecida e que hoje havia informado a policia sobre o aparecimento. Voltou a dormir.

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Visões – Capítulo 1 – O Rapto

23/05/2010 at 9:36 pm (Visões)

Eram 6 da manhã quando Ana estava a caminho de casa, suas roupas sujas de barro e seus piercings contrastavam com as roupas formais daqueles que iam àquela hora para o trabalho. O ônibus estava lotado e todos olhavam com desprezo para a garota, que ainda tinha em si o cheiro do suor e das drogas, o cheiro da rave que acabara de sair. Ela desce no centro, onde mora com uma amiga Marina. Ana nunca teve pai, aos sete anos sua mãe foi internada em um centro psiquiátrico, aos 15 a garota fugiu do abrigo em que morava, agora aos 18 trabalhava como garçonete, fazia alguns bicos, levava a vida sem perspectivas ou pensamentos sobre o futuro: somente o presente importava.

Marina dormia quando Ana chegou largando sua bolsa hippie de lado, ávida por um banho. Largou suas roupas no chão do banheiro, soltou os cabelos negros, deixou que a água percorresse seu magro e branco corpo, sentia a água a abraçar, sentia a cabeça rodar, vinham em sua mente aqueles estranhos pensamentos, o quarto branco, a dor, os vultos brancos passando ao seu redor em incrível velocidade. Sempre que Ana usava algum “doce” ela se via em cenas que ela nunca viveu. Ou viveu e esqueceu. Ela simplesmente não sabia como as lembranças iam parar lá, apenas sabia que elas moravam dentro dela, e que eram libertas quando alguma substancia ilícita adentrava em sua morada.

Marina saiu para o trabalho, era enfermeira em um hospital próximo e naquele sábado pegara o turno da noite. Ana ainda dormia quando a amiga se foi, ela não percebeu, mas a temperatura no quarto começou a cair estranhamente. E lá vinha mais uma vez o sonho, desta vez mais nítido, e enquanto o balé dos vultos brancos rodopiavam ao redor de Ana, ela se viu sair do próprio corpo e enxergar na mesa sua mãe, a expressão de dor, os estranhos utensílios, sentiu o ar lhe faltar, e a vontade de gritar, e gritou com sua mãe em uníssono acordando a tempo de ver uma fantasmagórica luz acima de si antes de desmaiar.

Ana acordou em um quarto, todo branco, as paredes acolchoadas, a porta de ferro com uma pequena abertura. Teria ela tido o mesmo destino de sua jovem mãe? Ela evitava pensar, mas por que mesmo sua mãe fora enviada para aquele lugar? Ela não se lembrava de muita coisa.

_Tem alguém ai?

Nenhuma resposta.

Olhou pela pequena abertura, e tudo o que conseguiu ver foi um corredor, tão branco quanto o quarto, com várias portas iguais a sua. Quanto tempo passara ali? Começou a pensar em todo o tempo perdido, na vida que levara.

Um vapor úmido começou a invadir o local, caleidoscópios se formam na visão de Ana que desmaiou novamente.

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Apresentação

23/05/2010 at 8:33 pm (Outros)

Ola a todos!!!

Começando por quem sou: Nanie, muito prazer,  jogo rpg e adoro ficção científica! Pratico tênis e participo de um grupo de teatro amador. Amo tecnologia. Não vou falar muito de mim, esse não é o propósito principal do post.

Lhes apresento o Soulfisma, criado por três amigos que tinham muitas idéias vivas na cabeça sedentas por liberdade.

Sofisma: É um raciocínio falso que se apresenta com aparência de verdadeiro.

O primeiro nome do blog seria sofisma… mas adivinhem: já estava sendo usado. :(

E foi a partir de Soul,palavra do inglês de tradução alma, espírito, essência surgiu o nome do blog: Soulfisma.

O objetivo é escrever histórias situadas no limiar entre a realidade e a ficção.

Espero que gostem dos conteúdos que serão postados em breve por mim, Pam e Davi.

Até mais.

Nanie

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