Visões – Capítulo 3 – Fuga
Ele não tem mais que 15 anos, cabelos ruivos, olhos cor de mel. Com as roupas brancas agora sujas de lama, corre o mais rápido possível, todos estão atrás dele. A chuva aperta tornando difícil enxergar qualquer coisa a mais de 5 metros. Ele não podia errar, tinha que chegar na hora, pois só havia duas alternativas: A liberdade ou a morte.
Por uma fração de segundos a liberdade ganhou a corrida. Pulou dentro do furgão preto estacionado no lugar marcado, em seu encalço era possível ouvir seus perseguidores, homens e cães, treinados para seguir um rastro por dias, para capturar, torturar e matar qualquer que seja a presa.
O furgão da partida, e seus ocupantes fogem o mais rápido que a noite chuvosa permite. Passam pela cancela destruindo-a, o som das balas zunindo no ar indo de encontro ao furgão se confunde com o da chuva que cai grossa. Depois de 30 minutos a mais de 130 km/h o furgão para. O motorista abre as portas traseiras.
_Pule do carro garoto. Corra a direita daqui sem olhar pra trás. Pegue esse pó e passe no corpo, isso fará os cães perder seu rastro. Corra até encontrar um pequeno abrigo de pedra. Entre lá e espere.
O rapaz, sem dizer uma palavra sequer, correu. O motorista continuou a dirigir, ele sabia que o fim estava próximo, mas um dia ou seis meses de vida não tinham muita diferença quando se tratava de reparar um erro que ele próprio causou. Acendeu a ponta do explosivo, o carro voa pelos ares, o fogo toma conta de sua carcaça, e em alguns segundos seu corpo evapora no ar. Mas a vida do garoto está salva somente isso importa.
No dia seguinte um homem loiro de belos olhos verdes acorda o rapaz.
_Vamos, não temos tempo a perder.
Diz o homem, jogando para o garoto um capacete e montando em sua moto. Os dois seguem por uma trilha por cerca de 1 hora antes de voltar as ruas. O homem entrega o garoto a um mendigo maltrapilho e se vai.
_Muito bem garoto. Fique comigo e por enquanto estará a salvo.